"The whole purpose of life is to make God a reality."

"Be like the Sun for grace and mercy. Be like the Night to cover other's faults. Be like running Water for generosity. Be like Death for rage and anger. Be like the Earth for modesty. Appear as you are. Be as you appear" ~ Rumi


terça-feira, 19 de junho de 2012




RELATO DE PARTO DO NASCIMENTO DO MEU AMADO FILHO DAVI

Primeiramente, enxergo o nascimento de um filho como um dos maiores milagres da vida. É a maior expressão da Mãe Natureza. E a vinda de uma nova alma para este mundo, para minha família, para ser meu filho, é algo tão grandioso e sagrado que as palavras não podem alcançar.

Assim que notei em mim os primeiros sinais de que meu momento de ser mãe se aproximava, comecei a ler e a pesquisar sobre parto humanizado. Pela web pude conhecer sites, blogs educativos e pessoas, como a doula Renata Olah, que me ajudaram a me informar e a me inteirar desse meio humanizado.

Pouco tempo depois engravidei. Comecei a correr atrás do dinheiro que precisaria para pagar pelos profissionais humanizados e frequentei algumas reuniões de grupos de gestantes em Campinas: o grupo MadreSer, o grupo Vínculo e o grupo Samaúma.

No final da minha gravidez, com quase 32 semanas, sofri uma decepção inesperada e dolorosa. Acabei me separando do pai do bebê. Deparei-me sozinha com meu filho na barriga, mas com a certeza de que jamais estaríamos desamparados. Busquei forças na espiritualidade, em minha família e em alguns amigos (Giovana, Milly, Paola, Virgínia, Maria Paula, João Gonçalves, Málika, Bárbara, Ana Rita, Estevão... e um certo círculo de Fadas).

Logo em seguida à separação, fiz o curso de preparação ao parto no Espaço dar à Luz, com a Lucía Caldeyro. Minha mãe foi quem me acompanhou no curso e me surpreendeu ao se emocionar vendo os vídeos de partos humanizados que assistimos. Ela tornou-se minha maior aliada e cúmplice do momento frágil e ao mesmo tempo forte que eu vivia.
Frequentamos o Espaço Dar à Luz mais algumas vezes e decidi, pela sintonia, que minha doula seria a Lucía. Ela me acolheu exatamente como eu precisava, com seus olhos amorosos e seu coração compassivo. A presença xamânica daquela mulher me fazia sentir acolhida, compreendida, amada e especial. Ela foi e sempre será uma luz em meu caminho.

Escolhi a Dra Priscila Huguet para ser minha médica obstetra, pois além de ser uma profissional humanizada renomada em Campinas, ela me passou muita segurança e naturalidade com seu jeito firme e calmo. Enxerguei nela uma amiga em quem eu podia confiar.

Enfim, com 37 semanas estava pronta para parir. Eu havia me preparado com yoga e caminhada, estava entregue ao momento e tranquila com a equipe escolhida. Quando minha bolsa rompeu, fui alegremente dirigindo de Salto a Campinas com minha mãe ao lado. Fomos ouvindo música no carro, eu cantando e contando as contrações. Eram umas 21h. Chegamos a minha casa em Campinas às 22h. Minha mãe foi se deitar um pouco e eu fui me alimentar. Eu estava feliz por ter chegado a hora e pressentindo que seria naquela madrugada. Fiquei andando pela casa, buscando posições verticais, rebolando e apoiando para frente quando doía. Eu me lembrava da importância da entrega, de deixar o meu útero se abrir para o bebê descer, de não me contrair, e sim soltar e relaxar mesmo durante a dor. Eu sabia que era preciso estar aberta e receptiva tanto psicológica como fisicamente.

Das 23h em diante o trabalho de parto foi acelerando, as contrações ficavam mais fortes e menos espaçadas. Conversei com a Dra Priscila e com a Lucía, que estariam de prontidão caso o TP engrenasse. E assim foi. Depois da meia-noite tudo foi se intensificando e as dores foram exigindo muito de mim. Eu quis enfrentá-las sozinha o quanto pudesse, tomando homeopatia e floral para aliviar a dor, além de ficar nas posições físicas estratégicas. A partir da 1 da manhã já sentia vontade de gritar e chorar de dor durante algumas contrações. Era algo que eu nunca havia sentido nem imaginado. Como se eu fosse me quebrar ao meio. Entendi que havia chegado o momento de empoderar a menina frágil e amedrontada escondida dentro de mim. Eu me tornaria mãe, eu seria a fêmea poderosa e mais forte da espécie. Mas era preciso um ritual de passagem. E isso doía em mim profundamente, senti medo da grandeza de tudo aquilo e daquela força divina bem maior e além de minha compreensão. Mas foi por confiar nessa poderosa força divina que aceitei vivenciar o que fosse preciso para atravessar esse portal.

Depois da uma e meia da manhã a Lucía chegou a minha casa. Ficamos juntas na minha sala de yoga. Eu gritava. Ela e minha mãe me auxiliavam com massagens e compressas quentes na lombar. Não me lembro de muita coisa, sei que a Dra Priscila chegou para me examinar e eu estava com 7 cm de dilatação. Fiquei feliz. Fomos direto para a maternidade. Chegando lá, vomitei por toda a recepção e me lembro de dar risada sobre isso com a Lucía. Creio que naquele vômito estava tudo o que eu precisava jogar fora e me desfazer, e como me senti melhor depois disso! Nessa hora as contrações eram tão fortes que eu precisava me agachar para suportá-las. Subimos para o quarto, a Dra Priscila me examinou (ela é muito delicada!) e já era hora de ir para a sala de parto. Chegando lá os meus gemidos já eram diferentes. Instintivamente eu sentia uma força de puxão para baixo. Sentei na (bendita!) banqueta de cócoras da Lucía. Minha mãe e a neonatologista Dra Maria Otília chegaram na sala. O CD com mantras indianos já estava tocando. Eu sentia vontade de fazer força, era como se todos os meus órgãos internos quisessem sair de dentro de mim. Adeus, barrigona... sua hora havia chegado. O corpo humano é sábio. A natureza é sábia. Eram mais de 3 da manhã. Estava me sentindo muito cansada e com vontade de abandonar meu corpo. Um carinho da Lucía em minhas costas fizeram eu me lembrar da magia do yoga. Despertei novamente minha força. Alinhei a coluna e respirei com consciência. Dra Otília me deu uma dica preciosa: expirar longamente durante a contração e a vontade de fazer força. Fiz e deu certo. Senti o círculo de fogo, uma leve ardência. Alegria. Fiz mais uma vez e a cabecinha surgiu. Êxtase. Mais uma forcinha e uma expiração longa e o corpinho todo veio direto para as (abençoadas) mãos da Dra Priscila, que em seguida o entregou aos meus braços. Eu e Davi. Nirvana!

Davi nasceu às 3h38 do dia 18 de abril de 2012. Foi muito bem recebido pelas belas e fortes mulheres presentes na sala e no momento do mantra para Krishna (nada por acaso!). Enquanto a Dra Otília cuidava do Davi, a Dra Priscila cuidava de mim, pois tive uma pequena laceração no períneo. Tudo em paz e numa atmosfera de magia e carinho.

Agradeço imensamente a Deus por ter me concedido a benção de ser mãe e à oportunidade de ter tido um parto tão respeitoso. Vivi meu ritual de passagem! O segredo foi confiar, entregar, perseverar no momento da dor e não criar muita expectativa. É fundamental estar rodeada de pessoas de confiança e permitir que a natureza se manifeste. Também é importante buscar métodos naturais de alívio para a dor e manter a força de vontade até o fim. Vale a pena!

Meus sinceros e eternos agradecimentos à doula Lucía Caldeyro, à Dra Priscila Huguet, à Dra Maria Otília, aos meus amigos que me apoiaram e especialmente a minha mãe Aracy Serra, que sem ela nada disso teria sido possível. Também agradeço ao Diego, pai do bebê, por ter me dado o presente de um filho e a oportunidade de aprender a crescer na dor.

Om Shanti

Oriana Zamboni






Ray Charles Let It Be